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Matador de Aluguel (2024) – Perdendo de vista o que importa

 


O início de Matador de Aluguel conta com uma certa literalidade que irrita. Nada acontece sem que alguém faça um comentário sobre reforçando aquilo que já foi visto, o primeiro oponente de Dalton (Jake Gylenhaal) foge após vê-lo, somente para Frankie (Jéssica Williams), sua futura contratante, declarar que ele colocou medo no outro lutador.

Essa tendência acabar por apontar algo válido, no entanto, ao chegar em Glass Keys, onde ele servirá de segurança na Taberna, bar de Frankie. Ele encontra Charlie, filha do dono da livraria local, que após saber quem ele é e porque está ali, aponta que é quase uma história de faroeste, onde um caubói forasteiro vem para proteger uma pequena cidade de bandidos arruaceiros.

Matador de Aluguel não é um western, mas a certo mérito nessa observação, pois há certa importância, dentro do gênero, a relação que o protagonista constrói com o seu espaço. Só para citar um exemplo, em O Estranho Sem Nome, a presença do personagem de Eastwood muda fundamentalmente a cidade de Lago, enquanto a prepara para se defender do ataque de uma gangue.

E quando se foca na maneira que o protagonista se envolve com aquela comunidade o remake, conduzido por Doug Liman, encontra seus melhores momentos. Os personagens que circundam Dalton são variados e complexos, e o roteiro é eficiente em sugerir uma história maior para alguns deles por meio de poucas interações, tornando aquele local rico e vivido. As coisas não começaram só porque Dalton chegou ali, e é essa história pregressa que torna Frankie tão apegada à Taberna. O bar é lotado de fotos de sua família, visto que o antigo dono era seu tio.

Somado a isso, o longa também conta com boas cenas de luta. Nada a nível John Wick, claro, mas que possui uma condução clara, longe das edições picotadas típicas de filmes de ação estadunidense, aqui os impactos são sentidos, e há uma rapidez feroz na coreografia. Dalton não brinca com seus oponentes.

Porém, conforme a história se desenvolve, Matador de Aluguel parece esquecer esses aspectos, e se torna uma obra genérica. É dada tamanha importância para aquela comunidade e para as relações que Dalton construiu ao longo do filme, mas, próximo ao final, boa parte desses personagens simplesmente desaparece, até mesmo o interesse amoroso do protagonista, Ellie (Daniela Melchior) some após um único beijo, somente para ser usada como donzela em perigo ao final do filme.

Jogando um pouco de sal na ferida, existe ainda a presença de Connor McGregor, como um capanga capaz de fazer maior oposição ao protagonista, mas sua atuação parece retirada de outro filme. Matador de Aluguel é engraçado, mas McGregor é caricato e absurdo, e seu status força cenas de luta mais alongadas, que quebram o ritmo do filme, como a terrível cena de quebra quebra no meio da narrativa, completamente deslocada da simplicidade que vinha sendo norma até então.

Assim, o longa perde de vista os elementos que o davam certo estofo dramático. No lugar de se apoiar nas relações entre os personagens, prefere buscar um clímax mais explosivo, deixando de lado tudo que o tornava interessante, e abraça o seu lado mais genérico.


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