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Crítica – Predadores Assassinos

 Crítica originalmente publicada no Senta Aí

Filmes de desastre fazem parte da história do cinema e vão deste premiados dramas, como O Impossivel, até produções de baixo orçamento da Syfy. Situação similar ás produções de “ataque animal”, iniciado com o que é considerado o primeiro blockbuster: Tubarão. Essa classe de longas hoje pertence mais ao campo do chamado filme-b. Predadores Assassinos tem a interessante ideia de unir esses dois gêneros para contar a história de pai e filha lutando contra jacarés gigantes durante um furacão.

O longa, dirigido por Alexandre Aja (Alta Tensão), e produzido pelo lendário Sam Raimi, acompanha Haley (Kaya Scodelario), uma nadadora perfeccionista, na qual encontra dificuldades em lidar com o divórcio dos pais. Com a iminência da chegada de um furacão de categoria 5, a protagonista vai ao encontro de seu pai, Dale (Barry Pepper), que não atende o telefone. Hayley consegue localizá-lo na antiga casa da familia, desacordado e sangrando no porão, vitimado por um jacaré, agora também encorrulando a personagem em uma situação cada vez mais tensa, pois a força da tempestade começa a inundar o porão.

A premissa é simples, mas os nomes envolvidos certamente criam expectativa com o seu desenvolvimento, já que tanto Aja, quanto Raimi, tem suas raízes no terror. A pouca duração da obra, com cerca de 87 minutos, demonstra o interesse em se realizar algo simples e direto ao ponto, algo sempre bem vindo, ainda mais nos dias atuais. Em um primeiro momento, isso até acontece: a introdução de Haley é econômica, informando através de gestos determinados e olhares incisivos a sua personalidade. Um breve flashback sobre sua relação com o pai, estabelecendo o pilar dramático da história, é o ponto alto. Ao chegar no porão, a fotografia, antes clara, passa a ser carregada de sombras, ajudando a construir o suspense, já que é difícil ver  o que se passa, algo no qual Aja explora com habilidade. 

Tudo é executado com economia, até mesmo a primeira aparição dos jacarés é sem floreios, com os bichos simplesmente explodindo na tela, quebrando tudo visto pela frente. Tudo menos os confrontos entre os animais e humanos, que remete a trabalhos passados do diretor. Apesar de não conter tanto gore, é inegável a intenção do cineasta de4 se encontra, construindo sequências viscerais em que personagens tem pedaços de carne sendo arrancados e outros sendo absolutamente estraçalhados. 

Conforme a trama progride, no entanto, a obra começa a quebrar as próprias regras, e a criar situações completamente forçadas para que a dupla possa sobreviver. Por exemplo, logo no começo, é dito que os jacarés são lentos e não escutam muito bem fora da água. Era de se esperar que a situação mudasse conforme o nível da água aumentasse, algo não feito. Praticamente todos os personagens que chegam perto da água são mortos pelos jacarés, enquanto a dupla principal permanece relativamente sã e salva. Essa “proteção” que os personagens recebem tira muito da tensão da metade final, na qual era um jogo tenso de sobrevivência – com Haley e seu pai tendo que tomar muito cuidado com cada movimento -, é esvaziado para dar lugar a segmentos mais frenéticos que não combinam muito bem com o que vinha sendo construído até então.

Embora decisões burras façam parte de filmes do gênero, o longa trai a si mesmo ao realizar algo semelhante. Haley e Dave, até certo ponto do desenvolvimento da história, utilizavam suas habilidades e conhecimento da casa para sobreviver. Esse aspecto é descartado sem a menor cerimônia quando o roteiro requer. O mesmo acontece com um importante objeto de cena, que simplesmente some para que uma situação mais perigosa possa ser inserida.

Predadores Assassinos chega bem perto de ser um bom mix de gêneros, todavia a simplicidade da premissa acaba forçando a criação de momentos simplesmente estúpidos, que se não chegam a prejudicar o que o filme faz de bom, já que os momentos divertidos sempre o são, mas havia potencial para ser algo mais. Parece estarmos vendo só mais uma reprise de monstros atacando pessoas.

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